Depois de marcar dois gols atacante assume ser o “pedreiro” do Azulão
Azulao tem seu mestre de obras, e equipe completa neste "canteiro de obras" do Campeonato Brasileiro da Série C
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| Anderson Cavalo, o "pedreiro" do "Canteiro de Obras São Bento" neste Brasileiro da Série C/Criaçao ER |
Por Rivail de Oliveira
Em uma de suas últimas entrevistas para a imprensa, o
treinador Paulo Roberto Santos, do São Bento, que neste final de semana assumiu
a liderança isolada do grupo B do Brasileiro da Série C, com sete pontos após
três partidas, apregoou que tem o perfil de uma “equipe operária”, para o
certame nacional deste ano.
E parece que o elenco azul e branco assimilou a lição do treinador. E como todo
time operário, tem seu carpinteiro, eletricista, desenhista...E seu pedreiro. Função, assumida nesta semana oficialmente pelo “atacante-pedreiro” Anderson
Cavalo.
Falando à imprensa, Cavalo, 30 anos, experiente e do estilo,
quase em extinção no futebol brasileiro e mundial, centroavante das antigas,
que joga lá dentro da área segurando dois ou mais defensores, destacou esse seu
papel, numa alusão à divisão de funções numa obra:
“Hoje estou atuando como um verdadeiro pedreiro dentro do time. O cara que se
suja todo, para que a obra saia boa e para o engenheiro assinar”, comentou o
atacante que é quem tem tomado as maiores pancadas, irrita a defesa, se irrita
com ela. O próprio treinador destacou esse lado do atacante.
Cavalo destacou no time “operário” do São Bento, os criadores (ou
“projetistas”), como Cordeiro, que fez duas assistências para os gols. Disse que o treinador Paulo Roberto
valoriza muito todo mundo em todas as funções de forma igual. “No primeiro jogo
contra o Mogi tive uma grande chance, no segundo entrei bem e o gol não saiu,
agora felizmente eles saíram”, comentou.
O centroavante falou da confiança que o
clube e o treinador Paulo Roberto depositaram nele. Recordou que somente não
ficou no Paulista no Azulão por um erro seu. Sobre o Brasileiro, analisou que
está focado junto com o time e a meta é trabalhar para quem sabe buscar uma
classificação.
Anderson Cavalo
iniciou a carreira em 2008 no Bandeirante, tendo passagens, por Portuguesa
Santista, Uberaba, Olé Brasil, Votoraty (1 gol), Penapolense, America-RN,
Noroeste, Treze-PB, , Botafogo-PB, Prudente, Barueri, Cruzeiro-RS, Marilia,
Novoriszontino, Votuporanguense, Guarani e essa é sua segunda passagem pelo São
Bento. De 2015 até hoje foram dez gols, sendo cinco pelo time de Sorocaba, três
em 2016 e dois em 2017.
O “polivalente”
No mundo operário, alguns trabalhadores
tem o perfil “polivalente”. O profissional que faz de tudo um pouco e bem ! No
São Bento esse é o o caso de Maicon Souza, que no ano passado jogou no São
Bento como volante e neste ano, assumiu a função de organizador do time no
Brasileiro. “Nossa meta é fazer um bom começo de torneio, mas que é preciso ter
pés no chão pois apesar do bom inicio, o
time terá dois difíceis jogos, contra Tupi e Joinville fora agora. Vamos buscar
pontuar fora e fazer nossa obrigação dentro de casa”, explicou o meiocampista.
O "desenhista"
Em todo “canteiro de obras”, da bola, existem os que mexem
com o “pesado”. Mas sem um desenhista, um criador, o talento, o prédio também
não sai. Esse papel, neste atual elenco do São Bento, vem sendo ocupado pelo
experiente lateral esquerdo Marcelo Cordeiro. Aos 36 anos, esse carioca, iniciou
a carreira em 2001 no Vasco da Gama e já rodou o mundo: Bragantino, Caxias,
Atletico Sorocaba, Vitória, Inter-RS, Botafogo-RJ,Portuguesa, Sport, Vila Nova-GO,
e está na sua terceira passagem pelo time de Sorocaba com oito gols marcados.
No atual Azulão, Cordeiro vem passando a experiência e o
talento que o fizeram jogar por grandes clubes do Brasil. Como verdadeiro
desenhista da “obra azul”, fez duas assistências para gols nos últimos jogos. Cordeiro aproveitou para explicar que no Paulistão o time
começou sob pressão com a eliminação da Copa do Brasil, derrota para o
Corinthians e sabendo que não poderia errar, o nível do Paulista e muito forte igual
a Série B, maior que a C, além do tempo, onde no estadual era jogo em cima de
jogo e na Série C tem um tempo maior de preparação antes dos jogos. “Nosso time
sentiu o inicio e tivemos contusões”, frisou.
O lateral disse que a Serie C é difícil, que agora o São Bento vai encarar
vários times postulantes ao acesso e prega pés no chão mais que nunca ao time operário
de Sorocaba. Ressaltou que apesar disso, os jogadores tem que pensar grande.
Por fim, voltando ao lado operário do time, Cordeiro revelou que aos 36 anos,
não tem mais pretensão de jogar em times grandes como Corinthians, Inter etc e
para isso, quer terminar sua carreira jogando em alto nível e servir de exemplo
para os jovens jogadores e é por isso que treina muito para que seja um espelho
e para isso fala muito e tem que pensar jogo a jogo, a continuar contra o Tupi na próxima rodada.
O “mestre de obras”
Há quase cinco anos na “obra azul e branca”, em Sorocaba. o técnico Paulo
Roberto Santos é o “mestre de obras principal”, deste São Bento. E como todo chefe,
cobra muito de seus comandados, mas busca ao mesmo tempo valorizar seus
“operários”, desde os “braçais aos mais qualificados”. Ele falou de seu
“pedreiro”: “Tem horas que Cavalo se irrita muito e vem falando com o jogador
para ele manter esse equilíbrio para fazer sua parte, ajudar o time e marcar os
gols que tanto quer como ocorreu contra o Macaé.
E como todo “supervisor geral”, Paulo Roberto, quer seriedade máxima da equipe
para manter o ritmo bom do “canteiro de obras” azuis, e evitar acidentes futuros.
O resultado (contra o Macaé) foi bom. Mas o torneio é difícil e teremos ainda
grandes adversários pela frente e precisamos manter os pés no chão e foco. Nosso
time está abraçando essa pegada e vibração. Futebol não tem mágica. É trabalho,
planejamento para fazer o time encaixar. Temos que ter essa visão e temos um
time operário com muita entrega e estamos no caminho certo mas não podemos relaxar”, disse o “mestre de obras” e
treinador Paulo Roberto Santos