Após mais uma queda, presidente
fala de investimento e SAF
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Rivail Oliveira, 02/02/2026
São Bento disputará a Série A3 e o presidente Almir Laurindo fez um balanço marcado por autocrítica, reconhecendo o desempenho muito abaixo do esperado e destacando o peso da falta de investimento, dos custos elevados e da ausência de um parceiro financeiro para mudar o rumo do clube.
SOROCABA - A derrota por 3 a 2 para o Taubaté, no Estádio Walter Ribeiro, confirmou de forma antecipada um rebaixamento que já se desenhava ao longo da campanha. Com apenas cinco pontos em 14 jogos e 12 derrotas, o São Bento caiu para a Série A3 do Paulista de 2027, ampliando uma sequência de resultados negativos nos últimos anos. Reeleito para o mandato 2022-2026, o presidente Almir Laurindo concedeu entrevista e reconheceu a gravidade do momento.
O dirigente pediu desculpas ao torcedor e admitiu que o clube falhou dentro de campo. O discurso reforçou a necessidade de investimento e apontou dificuldades financeiras como fator determinante para a queda, além de mencionar a desigualdade econômica no futebol paulista e a busca por investidores como saída para estancar a crise.
DESCULPAS AO TORCEDOR
Ao comentar a campanha, Laurindo reconheceu que o desempenho ficou muito aquém do mínimo esperado e que os números refletem um fracasso esportivo.
"Trabalhamos muito para não fazer um bom campeonato. A gente sabia a dificuldade nossa, mas acreditamos que a gente ia brigar ali no meio da tabela. Infelizmente não conseguimos, peço perdão de novo à torcida, e sempre aqui agradecer os nossos quatro assinadores que estão sempre junto com a gente e dizer que o futebol precisa de investimento. Se não tiver investimento, a dificuldade é cada vez maior".
Ele voltou a citar a proposta de SAF e destacou que, apesar da estrutura existente, o clube não consegue competir sem aporte financeiro.
"A gente tem uma proposta de SAF, para ver o que vai acontecer. A diretoria vai se reunir também porque é difícil você enfrentar dificuldade. O São Bento hoje, infelizmente está na A3, mas é um clube que tem estrutura, que muitos times não tem, e as vezes, como a gente falava e eles (jogadores), sempre cobravam da gente, que o Clube São Bento não tem estrutura, não conseguiu subir sem ter treino, não tinha ônibus para treinar, não tinha campo para treinar. Hoje hoje a gente tem alimentação, tem acomodação, tem campo para treinar, e hoje. Mas infelizmente também falta a parte de investimento".
SEM INVESTIDOR JÁ ENTRA PERDENDO
Laurindo afirmou que o cenário atual deixa o clube em desvantagem antes mesmo de a bola rolar, já que a maioria dos adversários conta com aporte externo.
"Estou no clube desde 2011, a gente disputava com os mesmos clubes hoje o Paulista, mesmo o orçamento do Paulista e todo mundo disputava igual. Hoje não. Você disputa com 16 times e 14 time no mínimo tem investimento fora a cota da federação. Então você já entra perdendo. Não é isso que faz também o futebol, e você pode falar que o dinheiro não entra em campo. Já teve time também com orçamento menor e conseguindo subir também. Só que a dificuldade cada vez é maior. Hoje você vê o futebol e o nível de futebol de todo mundo, a dificuldade que tem. Está pronto (o clube) para ter investimento para poder ser um clube grande de novo, para ter time competitivo, mas precisa de investimento pois a dificuldade cada vez é maior".
CUSTO ALTO
O presidente também detalhou o aumento das despesas e ressaltou que manter a estrutura pesa no orçamento, especialmente em um cenário de queda de receitas.
"O São Bento precisa de investimento, porque hoje a gente tem uma estrutura e você tem a alimentação para o clube. São 40, 50 pessoas por dia de almoço e janta, café da manhã, um hotel, você tem que manter lá, um campo para você cuidar. Um jogo para fazer que hoje custa 20 mil reais. Você tem uma comissão técnica profissional hoje, no mínimo, 10 pessoas. Quando você fica na situação de rebaixamento, na nossa situação teve que trocar 4, 5 jogadores. Tem que cobrir aqueles que estão machucados. Então, só aumenta o custo e mudou o orçamento nosso. E cota foi bem menor e o custo cada vez aumenta mais e cada vez a exigência do futebol é maior".
BENTO: ROTATIVIDADE NA PRESIDÊNCIA
Sobre o futuro político, Laurindo defendeu maior participação nas eleições e admitiu desgaste após anos à frente do clube.
"Eu deixei até o último minuto para poder ter outra chapa e a gente poder deixar para pessoas nova. Já estou aqui tanto tempo, de repente você está cansado, trabalha muito tempo. E repente vem um outro presidente, uma outra pessoa que enxerga coisas novas, que traz coisas novas e taz motivação nova. Isso faz parte do futebol".
"Então, na próxima eleição a gente torce para que tenha três, quatro chapas de sócios querendo assumir o São Bento e torço por isso. E gostaria que isso já fosse na última eleição".
TENTATIVAS FRUSTRADAS DE SAF
Por fim, o dirigente voltou a apontar a SAF como alternativa para dar estabilidade e evitar novos fracassos esportivos. Ele relembrou negociações que não avançaram e afirmou que a indefinição prejudicou o planejamento, impactando diretamente a montagem do elenco.
Segundo Laurindo, a solução passa por resolver a questão do investidor o quanto antes, para impedir que o clube repita o ciclo de improvisos, mudanças no meio da temporada e novos rebaixamentos.