Scuderia Bandeiras deixa a
Stock após questão jurídica
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Scuderia Bandeiras rompe com a Stock Car Foto: Rede Social |
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Redação — 01/07/2026
VOTORANTIM - A Scuderia Bandeiras, equipe sediada em Votorantim e comandada pelo piloto e CEO Átila Abreu, surpreendeu o automobilismo brasileiro ao anunciar sua saída imediata da Stock Car, com a temporada de 2026 em andamento .
O time votorantinense, que conta com estrelas como Rubens Barrichello, Nelsinho Piquet e Rafael Suzuki, além de Christian Fittipaldi na chefia e Ingo Hoffmann no estafe, ocupava a vice-liderança do campeonato de equipes quando decidiu rescindir o contrato por justa causa após graves desentendimentos com a cúpula da categoria. De acordo com informações do GE, a gota d'água foi uma longa disputa jurídica e técnica que gerou uma "insegurança jurídica muito grande" para os envolvidos.
O estopim para a ruptura envolveu pesadas sanções financeiras e técnicas impostas pela Stock Car contra a escuderia local. Recentemente, a equipe perdeu por unanimidade um recurso no STJD contra a desclassificação de Barrichello e Piquet na etapa de Interlagos, sob a alegação de que as pinças de freio estavam fora do regulamento. Na esfera civil, a Bandeiras reagiu e conseguiu liminares na Justiça contra punições que passavam de R$ 2,3 milhões — referentes à suspensão de benefícios e multas —, além de travar a cobrança de cerca de R$ 200 mil por carro pelo "Kit V8" (conjunto de peças para o novo motor adotado em 2026). A equipe argumenta que o kit é uma modificação do projeto original, cujo custo deve ser do promotor, enquanto a categoria alega ser uma atualização paga pelas equipes.
Em entrevista repercutida pelo GE, Átila Abreu detalhou os motivos da drástica decisão de abandonar o campeonato, mesmo vindo de uma vitória com Nelsinho Piquet na última etapa, em Cuiabá. O dirigente explicou o cenário de desgaste com os organizadores:
“Rescindimos o contrato por justa causa com o promotor do evento devido ao descumprimento de algumas regras contratuais. Não foram respeitadas decisões liminares, além de uma questão tributária e diversos itens que nos trouxeram uma insecurity jurídica muito grande que poderia afetar diretamente os nossos parceiros, patrocinadores, equipes e pilotos”.
ONDE E COMO COMEÇOU
O piloto relembrou que os atritos começaram no ano anterior devido a falhas mecânicas severas nos carros fornecidos pela organização. “É algo que começou em 2025, quando a Stock Car implementou uma motorização que deu muito problema, que foi alvo de várias quebras e reclamações. Para 2026, essa motorização foi trocada por um V8, mas esse custo foi repassado para as equipes. Por contrato, na aquisição dos carros, esse custo é do promotor do evento. Ganhamos uma liminar, inclusive, mas a partir desse momento a nossa relação com o promotor do evento se deteriorou bastante nas tratativas, acordos comerciais e até problemas no fornecimento de peças. Foram inúmeras as situações que nos levaram a esse ponto de ruptura”, desabafou Átila.
Apesar do encerramento doloroso de um projeto de R$ 20 milhões montado na região, o CEO garantiu que a estrutura do time e os empregos dos 55 colaboradores serão integralmente mantidos fora da Stock Car. “Foi uma decisão muito difícil. Quando você monta um projeto do tamanho que a Scuderia Bandeiras montou, com investimento de mais de R$ 20 milhões e grandes nomes do automobilismo, isso se torna muito grande. Todo o nosso propósito quando montamos a Scuderia era fazer o automobilismo de uma maneira diferente", disse. E ainda destacou Abreu
"DOLOROSO", DIZ ABREU
Encerrar nesse momento é doloroso, mas se fazia necessário para preservar a reputação de todos os envolvidos. Mas, por outro lado, entendemos que é uma grande oportunidade para construir algo ainda maior. Com certeza em breve anunciaremos os próximos passos da Scuderia Bandeiras e isso é só uma mudança de rota. Uma coisa da qual não abrimos mão é dos nossos parceiros, dos que estiveram conosco desde o início e acreditaram no nosso projeto", explicou
"Hoje a Scuderia Bandeiras é o maior ecossistema do automobilismo brasileiro, contamos com 55 colaboradores diretos, muitos dos quais mudaram suas vidas, vieram de outros estados com suas famílias. Jamais deixaríamos ou desligaríamos essas pessoas por uma decisão nossa. O que aconteceu com a Stock Car não é culpa deles e abandoná-los não é algo que está no nosso DNA”, concluiu Abreu
VICAR
Segundo a Vicar, a saída da escuderia aconteceu logo após o julgamento realizado pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD). Por unanimidade (5×0), o tribunal manteve as penalidades que haviam sido aplicadas pela Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA). As punições foram motivadas por irregularidades técnicas detectadas na fiscalização de componentes homologados nos carros das equipes, as quais impactavam diretamente a segurança dos competidores — incluindo a dos próprios pilotos das escuderias envolvidas.
Em nota oficial, a Vicar destacou que todo o processo seguiu rigorosamente os regulamentos da categoria e as instâncias competentes, respeitando o direito de defesa. A organizadora reforçou que a segurança é um valor inegociável e que qualquer conduta que coloque em risco a integridade dos profissionais e do público é tratada com extremo rigor.
NASCAR OU PORSHE ?
A bombástica saída da Scuderia Bandeiras da Stock Car mal foi anunciada e o futuro do "maior ecossistema do automobilismo brasileiro" já incendeia os bastidores e as discussões na internet. Nas redes sociais, ganha cada vez mais força o comentário de que o destino do time comandado por Átila Abreu poderia ser migrar para outras grandes competições nacionais.
Os perfis e entusiastas apontam que a @nascarbrasil e a @porschecupbrasil já aparecem como fortes candidatas e "esperam" de braços abertos a chegada da @scuderiabandeiras
Com toda a sua gigantesca estrutura de 55 colaboradores e pilotos de peso. Como o próprio CEO adiantou que a equipe não será desfeita e que "em breve anunciará os próximos passos", a expectativa no automobilismo regional e nacional é enorme.